A compreensão da ditadura militar brasileira (1964–1985) ganha contornos mais profundos e urgentes quando analisada a partir da perspectiva dos povos originários. Longe de serem vítimas passivas do processo de expansão de fronteiras e violência estatal, as lideranças indígenas articularam formas sofisticadas de resistência e inserção no debate público nacional e internacional. É sob essa premissa que se constrói a palestra “Experiências de cosmopolítica indígena durante a ditadura: Mário Juruna e Raoni”.
Ministrada pelo Prof. Dr. Carlos Benítez Trinidad, pesquisador e docente da prestigiada Universidade de Salamanca (Espanha), a apresentação propõe uma imersão na trajetória de duas das maiores expressões da política indígena do século XX: o cacique Xavante Mário Juruna e o cacique Kayapó Raoni Metuktire.
Duas Trajetórias, Duas Estratégias
O conceito de cosmopolítica, central na fala do pesquisador, ajuda a traduzir como essas lideranças não apenas disputaram o jogo político institucional do homem branco, mas o fizeram sem abrir mão de suas visões de mundo, espiritualidades e conexões profundas com a terra.
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Mário Juruna: Ficou mundialmente conhecido por carregar um gravador para registrar as promessas dos funcionários da FUNAI, expondo a burocracia e a falsidade estatal. Juruna quebrou barreiras ao se tornar o primeiro — e até hoje um dos poucos — deputado federal indígena do Brasil (eleito em 1982), transformando o parlamento em um eco de denúncias contra o regime autoritário.
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Cacique Raoni: Traçou um caminho de diplomacia global. Diante do sufocamento promovido pelo regime militar na Amazônia, Raoni internacionalizou a luta pela demarcação de terras, dialogando com chefes de Estado, organizações de direitos humanos e a imprensa internacional, construindo uma blindagem externa contra os abusos internos da ditadura.
Sobre o Palestrante
O Prof. Dr. Carlos Benítez Trinidad traz o olhar rigoroso da historiografia europeia e americanista para o cenário brasileiro. Atuando na Universidade de Salamanca, o pesquisador dedica-se a entender as dinâmicas de resistência, as políticas indigenistas na América Latina e os impactos da transição democrática na Amazônia, oferecendo uma análise rica em fontes documentais e perspectivas teóricas inovadoras.
Por que assistir? Esta palestra é um convite essencial para estudantes, pesquisadores e defensores dos direitos humanos que desejam revisitar a história do Brasil sob uma ótica decolonial, reconhecendo o protagonismo indígena como força motriz na reconquista da democracia do país.
Informações Gerais
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Tema: Experiências de cosmopolítica indígena durante a ditadura: Mário Juruna e Raoni.
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Convidado: Prof. Dr. Carlos Benítez Trinidad (Universidade de Salamanca-Espanha).

